Você passa o dia resolvendo coisas, trabalhando, conversando, tomando decisões. Finalmente chega a hora de dormir. O quarto fica silencioso e, de repente, aparecem as conversas que você teve, o que precisa fazer amanhã, uma preocupação antiga e até aquela situação de três semanas atrás.
A sensação de que a mente “não desliga” antes de dormir é relativamente comum. Em alguns casos, porém, pensamentos e preocupações recorrentes podem dificultar o início ou a manutenção do sono.
Por que os pensamentos parecem aumentar justamente à noite?
Durante o dia, nossa atenção é constantemente ocupada por estímulos e tarefas. Quando essas distrações diminuem, pensamentos e preocupações podem se tornar mais perceptíveis.
Além disso, estresse e ansiedade podem aumentar o estado de alerta do organismo. Mesmo quando existe cansaço físico, esse estado de ativação pode dificultar o relaxamento necessário para adormecer.
Isso não significa que toda dificuldade para dormir seja causada por ansiedade. Há diferentes fatores que podem afetar o sono, incluindo hábitos, ambiente, condições de saúde e uso de determinadas substâncias.
Quando a preocupação entra em um ciclo
Existe uma diferença entre pensar sobre um problema e passar repetidamente pelos mesmos pensamentos sem chegar a uma solução.
À noite, esse ciclo pode assumir formas como:
- repassar acontecimentos do dia;
- antecipar situações que ainda não aconteceram;
- imaginar diferentes cenários para um mesmo problema;
- preocupar-se com o próprio fato de não conseguir dormir;
- verificar constantemente quanto tempo ainda resta até o despertador tocar.
Quando surge a preocupação “preciso dormir agora”, o próprio sono pode começar a parecer uma tarefa que precisa ser cumprida. E tentar controlar o sono à força tende a tornar o processo ainda mais frustrante.
Alguns hábitos podem ajudar a preparar o corpo para dormir
Ter horários relativamente regulares para dormir e acordar, reduzir estímulos próximo ao horário de descanso e criar uma rotina mais tranquila antes de deitar são medidas frequentemente utilizadas para favorecer uma boa higiene do sono.
Também pode ser útil observar o consumo de cafeína e outras substâncias estimulantes, especialmente no período próximo ao horário de dormir.
Isso não significa criar uma rotina perfeita. A ideia é ajudar o organismo a reconhecer, aos poucos, que aquele período está associado ao descanso.
E quando isso merece mais atenção?
Uma noite ruim ocasionalmente não significa necessariamente que exista um transtorno do sono ou de ansiedade.
Mas vale procurar avaliação profissional quando a dificuldade para dormir se torna frequente, persiste ao longo do tempo ou começa a causar prejuízos importantes durante o dia, como cansaço intenso, irritabilidade, dificuldade de concentração ou queda no desempenho das atividades cotidianas.
Também é importante investigar quando as preocupações parecem difíceis de controlar e estão presentes em outras áreas da vida, não apenas no momento de dormir.
Dormir não precisa virar mais uma cobrança
Quando estamos preocupados com o sono, é fácil transformar a hora de dormir em uma espécie de teste: “Será que hoje vou conseguir?”
Entender o que está mantendo esse estado de alerta pode ser mais útil do que simplesmente exigir que a mente pare de pensar.
Na psicoterapia, é possível investigar padrões de pensamento, comportamentos e emoções relacionados à ansiedade e ao sono e desenvolver estratégias adequadas à realidade de cada pessoa.